Naquele que será muito provavelmente o texto mais antigo do Novo Testamento, São Paulo fala à comunidade de Tessalónica acerca de questões fundamentais da fé que preocupavam aquela como a nossa comunidade: a morte, a vida, a ressurreição, o Céu, esse lugar teológico que é espaço de encontro com o Senhor, já não de forma intermitente e imperfeita como hoje, mas de forma plena, encontrando n'Ele o que de mais profundo anseia hoje o nosso coração: paz, amor, justiça, verdade...

Santo Agostinho, após uma juventude cheia apenas de si mesmo, depois de encontrar o Senhor, depois de fazer experiência da presença de um Deus vivo e verdadeiro na sua vida, só em Deus sentia encontrar repouso e só a Ele passou a procurar com todas as suas forças e inteligência.

Também nós sentimos, bem no fundo dos nossos corações, que só em Deus vamos encontrando verdadeira consolação e fonte de esperança, não uma esperança enquanto sentimento passivo de quem está à espera e enquanto espera dorme, mas uma espera pro-ativa de quem tudo faz para manter a chama da vida bem acesa pois não sabemos nem o dia nem a hora em que finalmente o Senhor nos permitirá ver o seu rosto e, face a face, olhos nos olhos, fazer verdadeira experiência de libertação.

No Evangelho, Jesus compara o Reino de Deus a 10 virgens, 5 insensatas e 5 prudentes. Só as prudentes mantiveram a chama acesa enquanto esperavam o Senhor, só as prudente procuraram a sabedoria que lhes permitia viver a esperança para além de toda a esperança e de encontrar sempre nos bons e maus momentos da vida razões para continuar a acreditar, razões para a esperança.

Mesmo experiências difíceis, de sofrimento, de dor - crises no casamento, desemprego, problemas com os filhos, falta de saúde, problemas económicos, se podem acabar por converter em fonte de esperança, em oportunidade de mudança.  A 12 de novembro de 1991, deu-se um massacre no cemitério de Santa Cruz, em Díli, Timor-Leste. Naquele dia centenas de pessoas perderam a vida, sobretudo jovens. Mas foi este acontecimento ensanguentado, cheio de dor e lutu, que chamou a atenção da comunidade internacional e permitiu dar força a um processo que viria a culminar com a libertação da opressão do exército indonésio e com a proclamação de um estado independente, livre e democrático.

Uma experiência de sofrimento com rostos, com dores reais, como a de Dom Martinho da Costa Lopes cujo aniversário ontem, dia 11, celebramos, que em 1977 assumiu a administração da Igreja Timorense e, desde logo, uma clara oposição aos sucessivos atropelos dos direitos humanos de que via o seu povo ser vítima.

Após a homilia no dia 13/10/1982 é chamado perante os generais indonésios a quem disse corajosamente: «(…) em virtude da missão profética, que me assiste, sinto-me na necessidade imperiosa de denunciar ao mundo inteiro, como fiz esta tarde, o genocídio que se está praticando em Timor para que, ao morrermos, o mundo saiba ao menos que morremos de pé!».

Dom Martinho morreu de pé porque viveu de pé, porque foi capaz de manter acesa a chama da fé e da esperança.

Agora é a nossa vez de ser e viver na esperança!


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